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Conteúdo variado Rede Manchete
Saudades da Manchete...
:: OVERDAY homepage ::
Se você nasceu antes de 1990 com certeza se lembra muito bem e tem saudades
da Rede Manchete, uma das maiores emissoras de televisão que o Brasil já
teve. Durante o pouco tempo que permaneceu no ar, se destacou em todos os
gêneros, agradando a todos. As mulheres desfrutavam de uma dramaturgia de
primeira, com novelas de alto nível e as únicas que já conseguiram competir de
igual para igual com as da Rede Globo. Os homens podiam sempre contar com as
coberturas esportivas e o jornalismo levado a sério da emissora, com grandes
nomes da área, enquanto os jovens se divertiam com programas como o Clube da
Criança, que revelou Xuxa e Angélica, e séries como Jaspion e Changeman, além dos
animes como Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, etc.
Para matar um pouco dessa nossa saudade e relembrar momentos tão marcantes,
eu coloco aqui a história da emissora e referências aos maiores programas
exibidos por ela. Tenho certeza que ao ler o conteúdo dessa página, memórias
virão a você e poderá voltar um pouco no tempo, no tempo que "a gente era feliz
e não sabia".
Além desta página que você está vendo, eu dei outra humilde contribuição para
eternizar esta grande emissora ao criar uma comunidade sobre a Rede Manchete
no orkut. Graças aos muitos fãs, hoje ela é a maior comunidade
sobre a Manchete do orkut e lá todos colaboram para manter viva a nossa
lembrança. Você é muito bem vindo na comunidade, para entrar vá para o seguinte
link:
Bem, vamos agora ao que interessa. Abaixo você poderá conferir uma história
completa de toda a trajetória da emissora. Eu pesquisei bastante para tentar
fazer um relato o mais completo possível, mas se você tiver alguma contribuição
ou correção a fazer, por favor entre em contato comigo. Lá vamos nós, rumo
ao passado...
Brasília,
19 de agosto de 1981. Concessões de TV são cedidas à Adolpho Bloch
pelo então Presidente da República João Figueiredo a partir da cassação de 7 das 9 emissoras
que pertenciam à Rede Tupi, mais a TV Excelsior de São Paulo, e a TV Continental
do Rio de Janeiro. No mesmo dia, outras concessões de TV foram cedidas ao
empresário e apresentador Sílvio Santos, que lançou o SBT. Neste dia, o contrato
firmado entre João Figueiredo e Bloch garantia ao empresário os direitos sobre 5
emissoras próprias, o canal 6 do Rio de Janeiro (antiga TV Tupi carioca), o
canal 9 de São Paulo (antiga TV Excelsior), o canal 2 de Fortaleza (antiga TV
Ceará), o canal 4 de Belo Horizonte (antiga TV Itacolomi), e o canal 6 de Recife
(antiga TV Rádio Clube de Pernambuco) e permitia a realização de seu sonho:
implantar no Brasil uma rede de televisão de alto nível. Nascia assim a Rede
Manchete de Televisão, que herdou o nome do então maior produto das empresas
Bloch, a revista semanal Manchete, publicada pelo grupo desde 26 de abril de
1952.
A Manchete tinha como sua cabeça de rede o canal 6 do Rio de Janeiro, e era
sediada num majestoso prédio, arquitetado por Oscar Niemeyer, na Rua do Rússel,
766-804, no bairro da Glória (zona sul do Rio).
A emissora foi ao ar pela primeira vez em 5 de junho de 1983, um domingo. Foi
colocada no ar uma contagem regressiva futurística de 8 segundos para o discurso
de Adolpho Bloch, e logo após foi apresentado um clipe onde uma nave,
representada pelo "M" (logotipo da emissora), sobrevoava as principais cidades
brasileiras e aterrissava no alto do prédio da Rua do Rússel.
O primeiro programa a ser exibido foi um show denominado "Mundo Mágico",
contando com a participação de diversos conjuntos musicais e artistas, que foi
transmitido ao vivo. Depois do show, a Rede Manchete colocava no ar o primeiro
filme exibido em sua história: "Contatos Imediatos de Terceiro Grau", de Steven
Spielberg, que colocou a emissora na liderança em audiência, alcançando 27%
contra 12% registrados pela Rede Globo na capital carioca.
Foi adotado o slogan "Televisão de Primeira Classe" e dentre os programas que
ganharam destaque nos primeiros meses de transmissão Manchete foram: "Conexão
Internacional", com Roberto D'Ávila, "Bar Academia", com Walmor Chagas, "Um
Toque de Classe", com grandes nomes da música erudita nacional e o "Jornal da
Manchete", telejornal exibido em horário nobre. O primeiro diretor de
programação foi Rubens Furtado.
Já em 1984 a Rede Manchete transmitiu pela primeira vez ao vivo e para todo o
Brasil os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, com a inauguração do
sambódromo da Marquês de Sapucaí.
O ano de 1984 marcou também pela criação do núcleo de dramaturgia e pela
transmissão dos comícios das "Diretas Já". No mês de agosto a Manchete lançou
"Marquesa de Santos", sua primeira minissérie, protagonizada por Maitê Proença e
Gracindo Jr.
Em janeiro de 1985 entrava no ar o "Clube da Criança", revelando como
apresentadora infantil a modelo e manequim Xuxa. Em julho do mesmo ano entrava
no ar "Antônio Maria", a primeira novela produzida pela Rede Manchete e a série
humorística "Tamanho Família".
Os primeiros sinais de prejuízo surgiram em fevereiro de 1986. A Rede Manchete
acumulava um prejuízo de 80 milhões de dólares e uma dívida que chegava a 23
milhões de dólares. Apesar disso a emissora lançou em abril a novela "Dona
Beija". Ainda em 1986, a Rede Manchete transmitiu a Copa do Mundo de Futebol,
diretamente do México.
Com o agravamento da crise, no mês de setembro aconteceu a primeira greve de
funcionários. Ainda assim, a qualidade da programação fez com que a Manchete,
ainda naquele ano, conquistasse o posto de segunda maior rede de televisão do
Brasil, e a terceira maior potência na TV da América Latina, títulos que manteve
por uns 5 anos.
Voltando a 1996, no fim do ano o ator José Wilker chega à emissora para reforçar
o núcleo de dramaturgia e coloca no ar em março de 1987 a novela policial "Corpo
Santo". Em abril de 1987 a emissora estréia "Nave da Fantasia", um programa
infantil que revela o talento de Angélica, então com apenas 13 anos.
Julho de 1987. Nova crise na Rede Manchete e são demitidos cerca de 100
funcionários. A linha de shows é desativada. Adolpho Bloch, sem escolha,
confirma a intenção de vender a rede. Também em 1987, no segundo semestre,
Angélica passa a apresentar o "Clube da Criança", totalmente reformulado,
assumindo o lugar de Xuxa.
No ano de 1988 a dívida da Rede Manchete havia saltado para a casa dos 34
milhões de dólares. Mesmo assim a emissora transmitiu as Olimpíadas de Seul.
Em mais uma tentaviva de salvar a emissora são colocados no ar 19 novos
programas, entre eles: o humorístico "Cadeira de Barbeiro", com Lucinha Lins e
Cacá Rosset e o "Sem Limite" com Luiz Armando de Queiroz. Nas manhãs o espaço
era do jornalismo com a exibição do notíciário "Repórter Manchete". À tarde
faziam sucesso os seriados "Jaspion" e "Changeman". Quem não se lembra deles?
Em 1989, no mês de julho ia ao ar mais um destaque da dramaturgia da emissora: "Kananga
do Japão", protagonizada por Christiane Torloni e Raul Gazolla. No esporte,
destaque para as transmissões ao vivo dos jogos da "Copa Rio". E no jornalismo
"Documento Especial: Televisão Verdade", apresentado por Roberto Maya e dirigido
por Nélson Hoineff. Ainda em 1989, a Rede Manchete lançou o "Cabaré do Barata",
com o humorista Agildo Ribeiro.
O ano de 1990 foi, muito provavelmente, o ano em que a Rede Manchete mais se
destacou. Uma das principais causas foi a exibição da novela "Pantanal", que foi
a de maior sucesso exibida na emissora e até hoje lembrada como um dos marcos da
dramaturgia brasileira. A emissora transmitiu também naquele ano a Copa do Mundo
da Itália. Em dezembro, ia ao ar a novela "A História de Ana Raio e Zé Trovão".
Em 1991, o "Cinema Nacional" ganhou destaque na programação e no fim daquele
ano, a Manchete entrou em grave crise econômica (a causa principal conhecida foi
o altíssimo investimento na novela Amazônia, que acabou em prejuízo estrondoso),
tendo sido vendida para o grupo IBF, de Hamilton Lucas de Oliveira, em junho de
1992. Na ocasião, 670 funcionários foram demitidos e a base de operações foi
transferida para São Paulo. Já na nova administração estréia, com apresentação
de Clodovil Hernandez, o programa "Clodovil Abre o Jogo". O "Documento Especial:
Televisão Verdade" passa a se chamar "Manchete Especial: Documento", com
apresentação de Henrique Martins.
Depois de vários meses sem salários, os funcionários interromperam a sua
programação da emissora no fim da tarde do dia 15 de março de 1993, colocando no
ar um slide denunciando a falta dos pagamentos. No mesmo dia é deflagrada uma
nova greve de funcionários. Um mês depois, através de medida cautelar, a
emissora retornou ao controle da família Bloch.
De volta ao velho dono, o logotipo “M” da Manchete passa a ser exibido sempre
junto do sobrenome “Bloch”. A emissora colocou no ar a novela "Guerra sem Fim"
no final de 1993 e lançou "Raio Laser", programa de video-clips, com
apresentação de Nato Kandall.
Em 1994 entrou no ar a novela "74.5 - Uma Onda no Ar", produzida pela TV Plus.
Naquele ano, a Manchete continuava a tradição esportiva transmitindo direto dos
Estados Unidos a Copa do Mundo de 94.
No ano seguinte, em 1995, aconteceu o embargo de bens da emissora pelo Banco do
Brasil. As emissoras afiliadas começavam a deixar a Rede, passando para a Record
e para a CNT. Ainda naquele ano, vai ao ar mais uma novela de destaque, "Tocaia
Grande", baseada em obra de Jorge Amado.
No segundo semestre de 1996, entrou no ar "Xica da Silva". Protagonizada pela
atriz Taís Araújo, foi um grande sucesso de audiência. Logo após foi produzida,
no segundo semestre de 1997, a novela "Mandacaru", outra no alto nível
costumeiro da dramaturgia da Manchete. Ainda em 1997, foram destaque no
jornalismo da emissora "Na Rota do Crime", "Operação Resgate", "24 Horas" e
"Câmera Manchete". O programa "Uma História de Sucesso" mostrava o dia a dia de
personalidades famosas da música e da televisão.
Em junho de 1998, a equipe da emissora instalou-se na França para a cobertura da
Copa do Mundo. Estréia "Brida", novela baseada no best seller de Paulo Coelho. A
novela não alcançou bons índices de audiência e teve que ser encerrada às
pressas diante do estouro da nova crise na emissora. 600 funcionários são
demitidos e vários programas extintos. No lugar de "Brida", a Manchete colocou
no ar a reprise da novela "Pantanal". Nos finais de semana ia ao ar o musical
"Mexe Brasil".
Em setembro de 1998, funcionários da Manchete de São Paulo colocaram no ar
slides exigindo soluções para a crise. As dívidas com a Embratel passaram a ser
descontadas através dos cortes diários do sinal da emissora no satélite, entre
as 23 horas da noite e 6 horas da manhã.
Em janeiro de 1999, pela primeira vez ficou fora do ar por alguns dias o "Jornal
da Manchete". Em mais uma tentativa de salvar a emissora, o grupo Bloch arrendou
toda a programação para a Igreja Renascer em Cristo. Por contrato a Renascer se
responsabilizaria pelas finanças e pela programação da Manchete durante um
período de 15 anos.
Mais um fracasso: após um mês nas mãos da Renascer, a Rede Manchete retornou ao
comando da família Bloch. O arrendamento foi desfeito devido à falta de
pagamento da primeira parcela do contrato.
Em 8 de maio daquele ano, 1999, três anos e meio após a morte de Bloch e com o
fracasso da novela Brida, que esgotou os recursos da emissora, Pedro Jack Kapeller, que é seu sobrinho e principal herdeiro de suas empresas, vendeu as 5
concessões, num acordo acompanhado pelo Ministério das Comunicações, que
transferiu as concessões da Rede Manchete para a TV Ômega do empresário Amílcare
Dallevo, sócio do Banco Rural no empreendimento. E a venda aconteceu 10 dias
antes do prazo final para a renovação das concessões, que estavam vencidas desde
1996. Se até 18 de maio de 1999, a Manchete não tivesse pago boa parte de suas
dívidas, ela seria liquidada e definitivamente extinta. Em 1999, Dallevo
transferiu a sede da emissora para a cidade de Barueri, em São Paulo e inaugurou
a Rede TV!, com uma programação completamente diferente do padrão da Manchete.
Era o fim da nossa amada Rede Manchete de Televisão, que passava a existir apenas em nossas lembranças.
Ainda assim, quem morava no Rio de Janeiro, podia de certa forma matar
um pouco das saudades, já que o prédio da sede da emissora, na Rua do Rússel,
permaneceu até 2005 com o nome "Bloch Editora - Rede Manchete" em sua fachada.
Durante este tempo, o prédio ficou fechado e lá estava todo o acervo da
emissora. Infelizmente, em 2005, o prédio foi finalmente passado para as mãos de
outra empresa e hoje em dia, no local, funciona uma faculdade particular. As
referências à Manchete, que existiam no exterior do prédio, foram retiradas.